Rádio Bandeirantes anuncia que terá outra programação na internet durante as eleições
São Paulo – Propaganda eleitoral obrigatória via ondas terrestres não estará presente na grade on-line

Segundo a assessoria de imprensa da Rádio Bandeirantes a emissora disponibilizará aos ouvintes uma programação especial na internet e no aplicativo “BandRadios” (voltados aos ouvintes de rádio via celular). De segunda a sexta-feira, o “Jornal Primeira Hora” e o “Esporte Notícia” podem ser conferidos pelo computador ou celular durante o horário eleitoral obrigatório, das 07h00 às 07h50 e das 12h00 às 12h50, respectivamente. Já aos sábados, o público continua com o “Jornal Primeira Hora” às 7h00 e não perde o programa “Fôlego” às 12h00. A mesma situação também estará disponível em outros pontos de acessos on-line, como o “player” de rádios do Tudo Rádio (disponível via celular e computadores).
Essa tendência deve ser propagada por diferentes rádios brasileiras, em regiões distintas. Enquanto as transmissões em FM e AM seguirão com a propaganda eleitoral obrigatória (com transmissão simultânea para todas as emissoras de suas áreas de atuação), a grade de internet deverá ser separada e continuará com o perfil característico de cada estação. O mesmo já ocorre em maior escala durante a transmissão obrigatória da Voz do Brasil, presente as 19h00 via transmissões terrestres em FM ou AM, mas ausente dos trabalhos on-line.
A Rádio Bandeirantes também informa que, por causa do horário eleitoral, a grade da estacão sofrerá alguns ajustes de horário. Acompanhe:
SEGUNDA À SEXTA
07h50 às 08h20 - JORNAL PRIMEIRA HORA
08h20 às 10h30 - JORNAL GENTE
10h30 às 11h30 - MANHÃ BANDEIRANTES
11h30 às 12h00 - ESPORTE NOTICIA
12h50 às 14h00 - ESPORTE NOTÍCIA
SÁBADO
07h50 às 08h20 - JORNAL PRIMEIRA HORA
08h20 às 10h30 - JORNAL GENTE
10h30 às 12h00 - VOCÊ É CURIOSO
12h50 às 14h00 - POLE POSITION
A propaganda partidária eleitoral irá ao ar a partir do dia 19, nas faixas das 07h e das 12h.
Jovem Pan de São Paulo sai na frente e realizará testes de migração do AM

O Ministério das Comunicações autorizou a Rádio Jovem Pan AM 620 de São Paulo a realizar testes experimentais em um canal da faixa estendida de FM. A emissora será a primeira do país a fazer esse tipo de operação. A autorização, válida por um ano, foi publicada no Diário Oficial da União de quarta-feira, 13 de agosto.
A emissora deve operar em uma frequência localizada entre 82 FM e 87 FM, correspondente ao canal 6 da TV analógica na capital paulista. As instalações da estação estão previstas para os próximos dias e contará com o apoio da Associação das Emissoras de Rádio e TV do Estado de São Paulo (Aesp). De acordo com o regulamento da migração do rádio AM, a faixa de FM será estendida pelos canais 5 e 6 de televisão, nos estados onde não existir espaço para todas as emissoras que solicitaram a transição migrarem. A expectativa é que as primeiras rádios habilitadas comecem a operar na faixa de FM a partir de outubro deste ano. A nova faixa em FM vai de 76 a 88 MHz, a atual vai vai de 88 a 108 MHz.
O Rio Grande do Norte será o primeiro estado a fazer a transição. Os primeiros termos de adaptação de outorga serão assinados e entregues a radiodifusores do estado, no dia 25 de agosto, durante solenidade no Congresso da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão SET), em São Paulo.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Abert e Tudo Rádio
No dia 15 de agosto de 1969, a Ação Libertadora Nacional (ALN), organização que teve entre seus dirigentes o guerrilheiro Carlos Marighella, realizou uma audaciosa operação na cidade de São Paulo. Diferentemente de outras ações ousadas da época como o assalto ao trem pagador ou o sequestro do embaixador dos Estados Unidos, o objetivo dessa ação não era obter dinheiro e nem a libertação de presos políticos. O objeivo da ação era a transmissão de um manifesto pelas ondas do rádio, à época o meio de comunicação com maior alcance no país.
“Atenção, muita atenção! Senhoras e senhores: tomamos esta emissora para transmitir a todo o povo uma mensagem de Carlos Marighella”. Com essa abertura, os ouvintes da Rádio Nacional paulista, afiliada do Sistema Globo de Rádio, foram alertados sobre o conteúdo que seria transmitido a seguir, por volta das 0h30 daquela sexta-feira, cujo sinal alcançaria o raio de 600 km no horário, conforme registrou o jornalista Mário Magalhães no livro Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo.
A voz que ecoava nas ondas do rádio não carregava o sotaque baiano de Marighella, apesar de o texto ser de sua autoria. Quem emprestou voz ao manifesto foi o estuante paulista da Escola Politécnica da USP, Gilberto Luciano Belloque, que bolou a estratégia junto ao companheiro José Carlos Lessa Sabbag e apresentou aos dirigentes da ALN, Marighella e Joaquim Câmara Ferreira. “Eles gostaram da ideia, que era muito simples do ponto de vista operacional”, lembra Belloque.
O texto preparado por Marighella começava falando sobre ações recentes que estavam sendo atribuídas a ele e sua organização: o incêndio provocado nas instalações das TVs Globo, Record e Bandeirantes na capital paulista e a explosão da caixa de correio.
“Brasileiros, queremos esclarecer a opinião pública que os últimos atentados contra as emissoras de TV são contra os revolucionários. Deixamos bem claro que nossos atos de sabotagem e terrorismo são voltados contra a ditadura militar e o imperialismo americano”, dizia a mensagem com o Hino da Independência ao fundo.
Marighella comandou ação para divulgar comunicado contra ditadura (Imagem: Arquivo/Reprodução/Jornal do Brasil)
Na sequência, a mensagem listava as prioridades da organização contidas no manifesto Ao Povo Brasileiro: derrubar a ditadura militar e anular todos os seus atos desde 1964, formar um governo do povo, expulsar do país os norte-americanos, expropriar firmas, bens e propriedades deles e dos que com eles colaboram, expropriar os latifundiários, acabar com o latifúndio, transformar e melhorar as condições de vida dos operários, dos camponeses e das classes médias, entre outros. Ao todo, foram 138 linhas transcritas pelo serviço secreto do Exército, anota Mário Magalhães em seu livro.
A gravação do manifesto foi providenciada em um estúdio para produção de jingles de um amigo de Sabbag, na capital paulista. Para a sessão de gravação do texto, estiveram presentes apenas Belloque, Sabbag e o dono do estúdio.
Para realizar a ação, que contou com a participação de cerca de 12 pessoas distribuídas em um fusca e um Aero Wyllis, os guerrilheiros não ocuparam o estúdio da rádio, localizado na região central da capital paulista, mas os transmissores que ficavam a 27km dali, em Piraporinha, hoje divisa entre o município de Diadema e São Bernardo do Campo. Metade entrou no prédio onde ficavam os transmissores e metade ficou do lado de fora, esperando. A ideia partiu do próprio Belloque, que já havia trabalhado em rádio no município de Monte Aprazível (SP).
Repercussão
A mensagem transmitida pela Ação Libertadora Nacional não ficou restrita aos ouvintes da rádio graças à atuação de Joaquim Câmara Ferreira, que entrou em contato com Hermínio Sacchetta, seu antigo companheiro de Partido Comunista Brasileiro (PCB). Apesar das divergências políticas e caminhos diferentes trilhados por ambos após a saída do partidão, Sacchetta prontamente se colocou à disposição para colaborar na ação. Como diretor de redação do Diário da Noite, já com o manifesto que seria transmitido em mãos, o militante pediu à repórter que acompanhava o noticiário das rádios para ficar atenta à Rádio Nacional. Mostrou surpresa ao ser avisado da mensagem inusitada transmitida na frequência da emissora e publicou na íntegra o texto de Marighella, como lembra Belloque.
A mensagem transmitida pela Ação Libertadora Nacional não ficou restrita aos ouvintes da rádio graças à atuação de Joaquim Câmara Ferreira, que entrou em contato com Hermínio Sacchetta, seu antigo companheiro de Partido Comunista Brasileiro (PCB). Apesar das divergências políticas e caminhos diferentes trilhados por ambos após a saída do partidão, Sacchetta prontamente se colocou à disposição para colaborar na ação. Como diretor de redação do Diário da Noite, já com o manifesto que seria transmitido em mãos, o militante pediu à repórter que acompanhava o noticiário das rádios para ficar atenta à Rádio Nacional. Mostrou surpresa ao ser avisado da mensagem inusitada transmitida na frequência da emissora e publicou na íntegra o texto de Marighella, como lembra Belloque.
Desdobramentos
Marighella não estava na ação, mas acompanhou a repercussão do caso. No mês de agosto de 1969, o guerrilheiro se refugiou em uma casinha branca no subúrbio de Todos os Santos, o mesmo bairro carioca da rua Honório, onde foram capturados Olga e Prestes, em 1936. A casa era alugada pela irmão de Zilda, uma das companheiras de Marighella. Detalhe: a ditadura militar jamais descobriria o aparelho de Marighella, observa Mário Magalhães em seu livro.
Marighella não estava na ação, mas acompanhou a repercussão do caso. No mês de agosto de 1969, o guerrilheiro se refugiou em uma casinha branca no subúrbio de Todos os Santos, o mesmo bairro carioca da rua Honório, onde foram capturados Olga e Prestes, em 1936. A casa era alugada pela irmão de Zilda, uma das companheiras de Marighella. Detalhe: a ditadura militar jamais descobriria o aparelho de Marighella, observa Mário Magalhães em seu livro.
Em abril daquele ano, ele começara a gravar com a filha de Zilda, Iara Xavier Pereira, uma série de fitas intituladas Rádio Libertadora. Com o sucesso da ação na Rádio Nacional, ele seguiu com o propósito de divulgar os manifestos em praças públicas, o que nunca aconteceu. “Atenção: as gravações em fita das transmissões da Rádio Libertadora devem ser ligadas aos sistemas de alto-falantes dos bairros e subúrbios e irradiadas para o povo, mesmo que para isso tenhamos que empregar a mão armada”, anuncia uma das mensagens.
Dezoito dias depois da tomada dos transmissores, o estudante José Carlos Lessa Sabbag acabou sendo morto por oficiais da ditadura na tentativa de comprar um gravador com cheques roubados para dar continuidade à ação.
Escrito por Leandro Melito - Portal EBC
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